Quando a Capital do Feijão vira Capital do ComitêQuando o período eleitoral se aproxima em Irecê, a cidade sofre uma metamorfose curiosa. O clima de calmaria do interior evapora mais rápido que poça d'água no sol do meio-dia na Praça da Caixa D'Água. Subitamente, o habitante pacato — aquele que só queria saber de cuidar da sua roça ou do seu comércio — percebe que sua sala de estar foi convertida, por força do destino e da amizade de infância, em um comitê político de ponta.
A atmosfera urbana ganha contornos de superprodução cinematográfica. Nas esquinas, o termômetro social oscila entre o entusiasmo de quem encontrou o seu salvador da pátria e o desespero de quem foi abraçado por três cabos eleitorais diferentes na mesma quadra. É o famoso "efeito Irecê": onde a conversa de calçada sobre o preço do quilo do feijão ou sobre a colheita do milho dura exatos quatro segundos antes de ser sumariamente sequestrada pelo debate acalorado sobre qual padrinho político vai trazer mais emendas para a região.
O ritmo da cidade muda de tom. Carros de som desfilam pelas avenidas espalhando jingles com refrões chicletes que grudam na mente do cidadão mais resistente do que chiclete em calçadura antiga. E há, claro, a grandiosa geopolítica da mesa de bar. Ali, sob a brisa fresca da noite sertaneja, formam-se os verdadeiros gabinetes de crise e estratégia. Entre um gole e outro, o debate político atinge níveis diplomáticos altíssimos — o que não impede que a amizade de trinta anos corra sério risco de extinção por causa de uma divergência sobre qual candidato a deputado vai calçar as botas na Assembleia Legislativa.
Enquanto a disputa esquenta os ânimos e movimenta a cidade de ponta a ponta, a melhor forma de acompanhar os desdobramentos oficiais e as novidades do pleito é ficar de olho nos portais de notícias regionais e acompanhar as atualizações diretamente pelo G1 Bahia ou verificar as informações de logística e apuração no portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
No fim das contas, entre santinhos jogados ao vento e promessas de palanque, o ireceense segue firme: rindo de si mesmo, garantindo o seu espaço na mesa de bar e provando que, por aqui, até a política tem o calor, a graça e a força de um bom povo festeiro.
